Há uns lugares lá atrás que até são acolhedores, aqueles penúltimos, dois a dois. Mas quando o motorista (senhor que irei comentar noutra postagem mais adiante) decide não travar numa lomba, quem sofre é a malta que não vai no meio ou à frente (os melhores lugares para quem não quer passar pelo efeito chicoteado que só acontece na traseira). Acho que os melhores assentos são uns ao pé da porta de saída, não os que têm a protecção em vidro (tão resistente, que uma vez um miúdo deu um pontapé numa e partiu-se), uns mais à frente, antes de chegar à tal saída de portas controladas pelo dedinho do condutor - por vezes encravam e então estamos ali "meia-hora à espera que ele vá carregar naquele botão vermelho que "é para tirar o ar", dizem os passageiros mais entendidos no assunto. Infelizmente, esses lugares são invadidos por senhoras que andam nisto há anos, a vomitar sacos das compras do Pingo-Doce pelas mãos e a conversar sobre o estendal da roupa que se rompeu ou da prima do meio do vizinho da frente que tem um cunhado cujo filho casou com a nora do sogro da Ti Arlinda.
E quando chove, "ui!..", o chão torna-se uma pintura abstracta de marcas de pés arrastados e algumas poças pelos pingos que caem do tecto, mesmo ao pé das lâmpadas fluorescentes (segurança acima de tudo).
Outra coisa são as campainhas, que dalguns lugares é impossível chegar-lhes. Então temos de trepar pela pessoa que está ao nosso lado caso estejamos do lado da janela, ou então levantarmo-nos e entrar numa dança agitada. Há ainda a hipótese de pedirmos a alguém para tocar na campainha por nós, é usada a expressão: "pode tocar aí fachabor?".
Tirando estes aspectos mais relevantes, o autocarro até que é um veículo hospitaleiro. Tirando isso e as conversas das senhoras, a linguagem dos mais novos, as asneiras que outros fazem, a gente "enlatada", a música que ouvimos dos auriculares de outros, tantas e tantas relevâncias de que irei falar noutros textos.
Até que é confortável...