quinta-feira, setembro 28, 2006
quarta-feira, setembro 27, 2006
Não
Não deixes que os nossos dias sejam um átimo
Que não sejam bivaques soltos na areia
Não deixes que a tua boca seja ciosa à minha
Que não se beijem para abolir só o corpo
Não queria que deixasses o recado em branco
Que não escrevas em desalento
Não queria que me deixasses
Só por um deixar de fazer
Não deixes infirmar
Que eu não deixo que deixes de querer
Que não sejam bivaques soltos na areia
Não deixes que a tua boca seja ciosa à minha
Que não se beijem para abolir só o corpo
Não queria que deixasses o recado em branco
Que não escrevas em desalento
Não queria que me deixasses
Só por um deixar de fazer
Não deixes infirmar
Que eu não deixo que deixes de querer
terça-feira, setembro 26, 2006
Quadro
E o sol batia-me na face
Furando a janela do autocarro
Naquele bocado de tarde
Que parecia madrugada
Na linha que separava
As casas negras do mar de fogo
Estavas Tu, suavemente
Adivinhando a cor do poente
E os potes de tinta
E pincéis desfiados
Derramados sobre o céu
Demolidos pelos teus dedos
Cruzados de arte
De riscos ácidos, amargos, doces
E o sol espalhado na janela
E no rosto
E Tu, no horizonte
Pintando uma página de amor
Furando a janela do autocarro
Naquele bocado de tarde
Que parecia madrugada
Na linha que separava
As casas negras do mar de fogo
Estavas Tu, suavemente
Adivinhando a cor do poente
E os potes de tinta
E pincéis desfiados
Derramados sobre o céu
Demolidos pelos teus dedos
Cruzados de arte
De riscos ácidos, amargos, doces
E o sol espalhado na janela
E no rosto
E Tu, no horizonte
Pintando uma página de amor
quarta-feira, setembro 20, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
Fecho
Quando o céu deixar
de ser alto
Quando o cheiro do alcatrão fresco
não souber mais a pastilha de morango
Quando o vento deixar
de ser sopro
Quando o reflexo na janela
não for mais ilusão
Quando a terra deixar
de ser mãe
Quando a canção da minha vida
não quiser mais endoidecer-me
Quando a tua voz deixar
de ser chama
Quando a roupa suja
não for mais desinteresse
Quando a palavra deixar
de ser espanto
Quando o poeta
não for mais fascínio
Quando a morte deixar
der ser da vida
E quando a vida
não for mais para a morte
Quando isto,
tudo fecha
como um galho
de ferro ferrugento
contra a pedra
açucarada
terça-feira, setembro 12, 2006
De novo
De novo as palavras
A caneta sem cor
De novo as pedras
Soltas de bolor
De novo o sol e o vidro
A cama por fazer
De novo à janela o cedro
Laranja, vivo, a ferver
De novo a rua pintada
Os passeios e a luz punida
De novo a música tocada
E a chuva na avenida
De novo o corredor grosso
As paredes enceradas
De novo o fumo no poço
E o chão de linhas traçadas
De novo a paragem quieta
As placas de publicidade
De novo a gente incompleta
Os bancos sem idade
De novo os dedos
A boca, o peito
De novo os beijos quedos
E o rosto sem jeito
A caneta sem cor
De novo as pedras
Soltas de bolor
De novo o sol e o vidro
A cama por fazer
De novo à janela o cedro
Laranja, vivo, a ferver
De novo a rua pintada
Os passeios e a luz punida
De novo a música tocada
E a chuva na avenida
De novo o corredor grosso
As paredes enceradas
De novo o fumo no poço
E o chão de linhas traçadas
De novo a paragem quieta
As placas de publicidade
De novo a gente incompleta
Os bancos sem idade
De novo os dedos
A boca, o peito
De novo os beijos quedos
E o rosto sem jeito




