Passa a palavra

quinta-feira, novembro 23, 2006

O autocarro (conforto e desconforto)

Há uns lugares lá atrás que até são acolhedores, aqueles penúltimos, dois a dois. Mas quando o motorista (senhor que irei comentar noutra postagem mais adiante) decide não travar numa lomba, quem sofre é a malta que não vai no meio ou à frente (os melhores lugares para quem não quer passar pelo efeito chicoteado que só acontece na traseira). Acho que os melhores assentos são uns ao pé da porta de saída, não os que têm a protecção em vidro (tão resistente, que uma vez um miúdo deu um pontapé numa e partiu-se), uns mais à frente, antes de chegar à tal saída de portas controladas pelo dedinho do condutor - por vezes encravam e então estamos ali "meia-hora à espera que ele vá carregar naquele botão vermelho que "é para tirar o ar", dizem os passageiros mais entendidos no assunto. Infelizmente, esses lugares são invadidos por senhoras que andam nisto há anos, a vomitar sacos das compras do Pingo-Doce pelas mãos e a conversar sobre o estendal da roupa que se rompeu ou da prima do meio do vizinho da frente que tem um cunhado cujo filho casou com a nora do sogro da Ti Arlinda.
E quando chove, "ui!..", o chão torna-se uma pintura abstracta de marcas de pés arrastados e algumas poças pelos pingos que caem do tecto, mesmo ao pé das lâmpadas fluorescentes (segurança acima de tudo).
Outra coisa são as campainhas, que dalguns lugares é impossível chegar-lhes. Então temos de trepar pela pessoa que está ao nosso lado caso estejamos do lado da janela, ou então levantarmo-nos e entrar numa dança agitada. Há ainda a hipótese de pedirmos a alguém para tocar na campainha por nós, é usada a expressão: "pode tocar aí fachabor?".
Tirando estes aspectos mais relevantes, o autocarro até que é um veículo hospitaleiro. Tirando isso e as conversas das senhoras, a linguagem dos mais novos, as asneiras que outros fazem, a gente "enlatada", a música que ouvimos dos auriculares de outros, tantas e tantas relevâncias de que irei falar noutros textos.
Até que é confortável...

quarta-feira, novembro 08, 2006

O autocarro (introdução)

Num fanico de tempo sem poemas, vou-me fantasiar por alguns textozinhos que representam a minha viagem de autocarro casa-escola, escola-casa.
Destacando os gajos que parecem ter gangrenas espalhadas pelo cérebro, vou percorrer os vários tipos de personagem que se fazem embalar por um merry-go-round de nome Move Aveiro durante quarenta e cinco minutos.
Espero que este desfile de meninos e meninas que, no fundo, são boa gente (alguns meus amigos), consiga clarificar quão viajar de autocarro é um ir e vir de pensamentos pujantes para escrever sobre eles e como a relação entre algumas pessoas pode ir até ao mais minúsculo no que toca a temas de conversa.

terça-feira, novembro 07, 2006

Tool


Embora a foto não seja das melhores, chega para recordar aquilo que foi um grande espectáculo visual e uma loucura musical.
Alguns sabiam as músicas de cor e cantavam, mesmo que desafinados, e antecipavam sempre os momentos em cada música.
Outros, conseguiam permanecer quietos a "beber" as imagens abstractas que iam passando atrás dos membros da banda.
Outros ainda, também quietos, tentavam ler os acordes, os tons, as batidas, iam apreciando a forma como os Tool tão bem misturam tempos, compassos e uma pose característica no palco.
EU, saltava, gritava, e por alguns momentos deliciei-me com a imagem que o vocalista criava ao dobrar-se, abrir os braços, bater o pé, e com a máscara que tinha na cabeça (penso eu que seja para fazer uma voz diferente).
Um momento com a duração de 1h 50m mas que deixou mais uma hora desejada.
Um momento em pele de galinha.
Um momento com os Tool.

Para o fim do próximo verão há mais...

sábado, novembro 04, 2006

Preparos

(Foto: Daniel Simões)




Num quase
Aferente a outro mundo
O mundo do som
Místico, desconhecido
De apanágio alternativo